AMULETOS E TALISMÃS
 
AMULETOS E TALISMÃS A necessidade de proteger-se sempre foi algo constante na História da humanidade, talvez pela fragilidade do homem ante as mudanças climáticas, às forças incontroláveis da natureza, aos animais selvagens, guerras ou doenças. Em todas as civilizações sempre existiram deuses que se ocupavam de determinados assuntos, como a fertilidade, a caça, guerra, o amor, a beleza ou a justiça. Eram Deuses vinculados com o Sol, com a Lua, com o vento ou os oceanos, deuses que às vezes tinham forma humana. Apesar de toda essa diversidade, havia uma característica em comum: a ostentação de certos atributos que lhes identificavam e distinguiam. Esses símbolos, como o disco solar, a meia lua, as plumas de uma ave, da cruz ou outros, oferecia as virtudes e o poder protetor da divindade que representava, se tornando amuletos protetores. Eis alguns exemplos: JADE - A PEDRA DA IMORTALIDADE Os estudiosos asseguram que o jade traz a necessária tranqüilidade a quem possui esta pedra, e que as suas colorações esverdeadas purificam as emoções. No terreno médico, o jade já foi utilizado contra envenenamentos produzidos por animais, vários tipos de infecções, problemas de olhos e de estomago, ciático e epilepsia. Também já foi utilizado para combater a solidão e a ruína. O jade é utilizado desde uns dez mil anos antes de Cristo, e com esta pedra se talharam imagens religiosas, objetos ritualísticos, amuletos e peças de utilidade como os machados, que tinham inscrições destinadas aos deuses, para que o instrumento cumprisse adequadamente a sua função. Os árabes aplicaram o jade para aliviar as sensações de vertigem, e era recomendado para os viajantes que deveriam passar por caminhos próximo aos abismos ou de montanhas. No México, no período pré-hispânico, o jade constituía um símbolo de fecundidade que aludia a água primordial e às forças que se materializam na vegetação. Foi na China que esta pedra recebeu seu maior culto, desde há 6.000 anos. Esta cultura equiparou o jade ao maravilhoso diamante, ao considerar ambas como as gemas da imortalidade. Por esta razão, é uma das pedras preciosas preferidas para talhar a imagem de Buda. Muitos comerciantes orientais da antiguidade acariciavam peças de jade durante seus negócios, na certeza que esta pedra lhe trairia sorte e fortuna nas transações. Também se construíam amuletos especiais dedicados à proteção de cadáveres, que eram colocados sobre seus rostos, e em algumas ocasiões sobre o umbigo ou outros pontos do corpo humano para facilitar o transito para a grande viagem. O nome de jade procede da palavra castelhana ijada, que designa as cavidades simetricamente colocadas entre as costelas falsas e os ossos das cadeiras, e também para as dores ou doenças destas partes do corpo. Os primeiros espanhóis que estiveram na América observaram que os nativos aplicavam esta gema para tratar de cólicas de rins, e assim chamaram esta pedra de ijada, e com o tempo de jade. Os chineses acreditavam que o jade materializava cinco grandes virtudes cardeais: o amor ao próximo, modéstia, valor, justiça e sabedoria. Para adquirir tais dons bastava escutar o som produzido pelo choque de umas peças com outras, assim aqueles que podiam financeiramente, levavam pendurados nos cintos pedaços de jade, com a finalidade de beneficiar-se com seu ruído. CRUZ ANSADA DOS EGIPCIOS A cruz ansada, junto com o olho de “udjat” e o escaravelho compõem a trilogia dos amuletos mais característicos do antigo Egito. A imagem da Cruz Ansada é similar à cruz cristão, variando a parte superior, que apresenta uma forma oval. Os egípcios a consideravam como “o símbolo da vida” e era um dos principais atributos da Deus Ísis, que foi quem conseguiu devolver a vida a seu esposo e irmão Osíris. A cruz ansada representa a vida em conceito amplo; é a vida com inicial maiúscula, a que não acaba com a morte, a que ressurge e continua. Geralmente surgia perto do rosto dos faraós para que sua visão da eternidade prevalecesse durante todo o seu mandato. Como amuleto, favorece a longevidade e a sabedoria de quem viveu muitas vidas. CRUZ DE CARAVACA O poder milagroso desta cruz tem sua origem em uma lenda que data do ano 1.232, quando o rei mouro Muley Albuceil obrigou que um sacerdote que estava seu prisioneiro oficiasse uma missa. Movido por uma grande curiosidade, mandou trazer todo o material necessário para sua celebração. O sacerdote não se opôs, mas quando iniciou não conseguiu articular nenhuma palavra. Muley perguntou o motivo, e o sacerdote contestou que não poderia continuar porque lhe faltava à santa Cruz, e neste momento dois anjos desceram do céu com uma cruz patriarcal de quatro braços. Ante tal prodígio, o rei mouro se converteu ao cristianismo, e a imagem desta cruz patriarcal foi motivo de fervor popular e de veneração, que se converteu em um talismã de grande poder. Como amuleto sua virtude principal é a proteção, já que sintoniza com a providência divina. TETRAGRAMATÓN HEBRAICO A palavra tetragramatón procede do grego tettares (quatro) e gramma (letra), e faz referência especial as quatro letras que, em hebraico, expressam o conceito de Deus. Estas quatro letras: Y H V H (yod, he, vav, he), escritas em caracteres hebraicos (da direita para a esquerda), são consideradas a representação da Divina vontade, a Criação, o intelecto e a Ação. Como amuleto de proteção à palavra pode estar inscrita dentro de um círculo, que engloba a figura de um pentagrama (estrela de cinco pontas) ou de um hexagrama (estrela de seis pontas). O hexagrama é conhecido também como Estrela de David ou selo de Salomão (dois triângulos entrelaçados) e seu simbolismo dá uma idéia da união do homem com a divindade. O triangulo que sobe simboliza o esforço humano de superação, seu trabalho evolutivo, e o triangulo que desce representa a providencia e a ajuda de Deus. O simbolismos da estrela de cinco pontas é similar, já que representa o ser humano (de pé com braços e pernas abertos), que se sente identificado com as forças do Universo, e sintoniza suas energias com a energia universal. É um talismã de proteção pessoal que expressa o conceito de união com Deus. MÃO DE FÁTIMA A mão de Fátima é um amuleto marroquino, de origem islâmica, é representada por uma mão com os dedos estendidos. Cada um dos dedos representa uma virtude (fé, caridade, jejum, oração e peregrinação). É freqüente encontrar também com seis dedos. Costuma ter também uma pedra em forma de olho, de cor azul ou verde que se situa na parte superior da palma. A mão de Fátima protege contra as enfermidades e atrai a boa sorte. FIGA A figa é um dos amuletos em forma de mão que mais se utilizou na Europa e na América do Sul e Central. No Brasil, por exemplo, recebe o nome de figa. Sua imagem é a de um punho fechado, e que o dedo polegar aparece entre os dedos índice e do coração. Uma de suas virtudes, como amuleto, é de afastar o “mau olhado”, mas também é utilizado contra a inveja e para proteção de algumas doenças como a raiva e a epilepsia. A figa costuma ser feita de forma artesanal, utilizando materiais semipreciosos, como as pedras. FERRADURA Sua imagem é o símbolo da fortuna e da boa sorte, mas pela tradição, para que tenha verdadeiro poder como amuleto, deve se utilizar às verdadeiras ferraduras de cavalos, feitas de ferro, para serem colocadas próximas da porta de entrada das casas e dos estábulos. Com este gesto se pretende afugentar todos os males. O costume de usar ferraduras como antídoto contra a má sorte e os feitiços é muito antiga. MEIA LUA OU CRESCENTE LUNAR A origem deste amuleto, que favorece a fertilidade feminina e protege os recém nascidos e suas mães durante o período de latência, é muito antigo. Foi encontrada peças arqueológicas pré-românicas com desenho similar aos amuletos em forma de lua, que costumam ser usados como pendentes. ESCARAVELHO O escaravelho teve no Antigo Egito um papel muito destacado como animal simbólico de proteção, já que representava a imortalidade da alma através dos céus de reencarnações. Como amuleto assegurava uma morte digna com um feliz transito, e seu poder como talismã se estendeu até Fenícia, Cartago, Etruria e Grécia, inclusive na arte paleo-cristã aparece como símbolo de ressurreição. Os egípcios tinham a crença de que a espécie de escaravelhos que formavam bolotas careciam de fêmeas, assim quando o macho queria engendrar, formava uma bola de esterco com suas patas traseiras durante o recorrido que sempre se dirigia do leste até o oeste, imitando o movimento do Sol. Na bola depositava sua semente e enterrava durante um tempo, para depois desenterrar e jogar na água. Mais tarde nasceria, desta bola, um novo escaravelho, daí a analogia com o homem que morre e é enterrado para depois renascer, depois de sua passagem pela água, para uma nova vida. O valor do escaravelho como um amuleto ainda se mantém, principalmente da cor azul, que se trata de um amuleto que atrai a boa sorte em momentos difíceis e para as mudanças importantes, e a cor azul sempre produz sensação de calma e de profundidade, favorecendo o espírito para o desapego material. Helena Gerenstadt