SOMOS REALMENTE LIVRES?
 
Nas sociedades modernas a coesão dos grupos sociais é considerada insatisfatória; a liberdade individual está se tornando um mito; e a possibilidade de auto-realização é cada vez mais difícil. As massas - as chamadas maiorias silenciosas - são apáticas; podem ser manobradas facilmente pelas elites políticas e transformadas em presas fáceis dos meios de propaganda. A história recente da humanidade demonstra como a falta de valores comuns e a inconsistência moral das pessoas - conseqüência de falta de valores - podem ser desastrosas; em situações difíceis, o homem moderno tem se comportado como um primata. A submissão abjeta do homem moderno à autoridade é segundo o psicanalista americano Erich Fromm, a grande doença do nosso tempo. Pensando numa "escala dos submissos", Fromm colocou num dos seus extremos as pessoas que são incapazes de ter opinião própria. No outro extremo classificou os indivíduos capazes de cometer as maiores atrocidades para "cumprir ordens"; eles não assumem nenhuma responsabilidade, escondendo-se na autoridade de outros. Para os submissos, "ordens são ordens". Elas são impessoais e indiscutíveis. Quem as executa não assume as conseqüências, por mais trágicos que sejam. Quem as ordena simplesmente assinou um papel. Ninguém é culpado de nada. Todos podem dormir em paz. Menos, é claro, as vítimas. Ou melhor, toda a humanidade que está sujeita ao domínio e às extravagâncias de paranóicos, como Adolf Hitler. Chega a ser incrível, quando se pensa no assunto, a constatação de que as pessoas abrem mão de maneira frívola de sua liberdade de escolha. Todo ano, alguns costureiros famosos da Europa ditam as novidades da moda, e milhares de mulheres às aceitam sem nenhuma crítica. Passa-se da minissaia para exigências do clima e até mesmo o valor estético. Basta algo estar na moda para ser bonito. Se esse problema fosse restrito ao campo da moda, a situação não seria muito grave. O pior é a submissão à publicidade. Ela dita padrões de consumo, e as pessoas apressam-se em comprar esses produtos, como se disso dependesse a sua própria sobrevivência. Somam-se a esses problemas o medo do ridículo ou da censura social que leva as pessoas a aceitarem as opiniões e os valores consagrados mesmo quando não há motivos. Nesse processo o indivíduo é dissolvido na massa e perde sua identidade. Tornam-se mais um cordeiro em meio ao rebanho e é incapaz de orientar por si mesmo seu destino. Uma sociedade não existe sem regras que orientem as relações entre seus membros. A ausência total de modos padronizados de agir, pensar e sentir impe-diria qualquer forma de intercâmbio ou cooperação entre os homens. Ou seja, a liberdade individual absoluta não existe em nenhuma sociedade organizada, nem mesmo nos pequenos grupos sociais, como a família. O ser humano tem necessidade de sentir que suas atitudes são aceitas e compartilhadas pelas outras pessoas.