OS GRANDES FUNDADORES DAS PRINCIPAIS RELIGIÕES E DOUTRINAS - Jesus, O Messias
 
O Cristianismo está baseado em elementos históricos, todos relatados no Novo Testamento, que foi redigido por quatro biógrafos, autores dos Evangelhos. Jesus Cristo é o personagem principal, nascido na Palestina durante o reinado de Herodes, o Grande; foi batizado no rio Jordão por João Batista quando tinha 30 anos e depois passou a predicar e a curar enfermos, quase sempre na Galiléia; ganhou a inimizade de vários compatriotas, além das suspeitas de Roma, e assim foi crucificado próximo de Jerusalém. De uma maneira muito reduzida, esta foi sua biografia.

O carisma e os milagres de Jesus não são suficientes para explicar a fé e a devoção de milhões de pessoas em sua pessoa. Em Suas palavras conseguia refletir a infinita bondade divina: Deus é amor. Certamente devemos nos deter em sua Mensagem, pois utilizou uma linguagem fascinante por sua simplicidade. Convidava a ver as coisas da vida de uma forma completamente nova. Jesus falava diretamente ao coração, e com toda sua loquacidade, explicava o infinito amor de Deus por todos os seres humanos, sem distinção de valores. Para os cristãos a cruz não representa a morte do fundador de sua religião, mas o símbolo de sua vitória sobre a morte. Sua ressurreição O elevou a categoria de Filho de Deus.

As Profecias sobre o Messias

Em todo o Antigo Testamento se relata muitas profecias, e mais da metade é sobre o nascimento do Messias. Para os estudiosos da época era importante conhecer o momento, mas era um conhecimento que não deveria ser compartido, a não ser para aqueles que houvessem alcançado a compreensão divina. As Profecias anunciaram que Ele seria da Casa de David, e que nasceria na cidade de David, Belém. Também anunciaram que Ele seria rechaçado por vir de Nazareth, porque nada bom vinha de Nazareth. Todas as mensagens de Jesus Cristo foram se cumprindo e continuam até os nossos dias, como a falta de juízo da Humanidade.

A Estrela de Belém

Para aqueles que estudavam as Profecias, se aguardava a revelação do céu: de quatro cantos se elevarão juntas as estrelas, e quando se encontrem, será a hora de seu nascimento. Para aqueles que puderam contemplar essa maravilha certamente foi motivo de muita honra por parte de Deus. Na época do nascimento de Jesus Cristo a Grande Conjunção de planetas se manifestou conforme uma "vertente material" (cataclismos e renovações periódicas do mundo) e uma "vertente espiritual" (encarnação de um Messias que deveria vir). Os Magos seguiram esta "vertente espiritual" e utilizaram tabelas para seus cálculos e para confirmar a posição dos astros.

Uma forma de calcular era medir o tempo do horizonte, principalmente quando o astro estava próximo do Sol. O stellium ou Estrela de Belém permanecia inalterável durante o dia, por causa dos raios solares; unicamente Mercúrio anunciava o fenômeno ao amanhecer. Talvez por isto a estrela permanecia oculta para a maioria e para os Magos, que haviam calculado seu surgimento, foi visível.

O Anjo Sempre Presente

Os anjos são considerados raios emitidos pelo Sol da Divindade, ou seja, onde estiver um raio de Luz sobrenatural haverá a presença de um anjo. O nascimento de Jesus Cristo manifestou-se com uma imaginável concentração de Luz, que associado ao brilho da Estrela de Belém, que veio somente para mostrar o lugar que chegava ao mundo o Homem de Luz, pode-se entender que a irradiação interior fosse mais intensa que a parte exterior. Anjo em hebraico se diz "malaj", que significa portador, mensageiro, mas "malaja", da mesma raiz, significa trabalho, arte, missão, obra, serviço. Tendo um arcanjo sido o mensageiro do nascimento do Homem de Luz, é compreensível que anjos se encontrassem no local e no momento onde o trabalho, a arte, a missão, a obra e o serviço se materializavam.

O Local do Nascimento

Vários símbolos acompanham a história de Jesus Cristo, mas este momento surge o sinal essencial do cristianismo - a ponto de nascer - como religião ante o mundo e no mundo. Um decreto do imperador romano Augusto estabeleceu o censo para todo o Império. José e Maria, que estava a ponto de dar a luz, tiveram que viajar até Belém para cumprir com a Lei. É conhecido que não encontraram hospedagem, e por isso tiveram que sair do povoado e buscar abrigo em algum lugar próximo. Os primeiros que recebem a notícia são os pastores, aqueles que andam entre os campos silvestres.

Viram uma criança de aparência normal, mas que pela inspiração angelical e pela abertura de espírito, perceberam sua dimensão divina. É a certeza da obra do Criador. De acordo com os Evangelhos Apócrifos de Santiago (XVIII, 1), "considerado o apócrifo ortodoxo mais antigo", Jesus Cristo nasceu em uma gruta. Os símbolos da gruta podem estar relacionados ao todo: nela se produz a origem, nela se descansa a morte e nela se dá a virtual ressurreição, mas existe algo essencial, que é o espírito: verdadeiro atuante que não vemos sempre livres e sempre presente, e por isso o espírito é interior, assim como a gruta ou a cova.

A Presença do Asno e do Boi

O presente mais representativo da Terra para o nascimento de Jesus Cristo foi o asno e o boi. Estes animais demonstraram a essência do trato de Jesus Cristo para com os homens, que foi de docilidade e força. O asno não representa sabedoria, mas o ânimo do esforço em percorrer caminhos com humildade, algo que para um cavalo seria impossível. O asno representa a humildade, o sacrifício e a perseverança. O boi representa o pilar da civilização mundial e o símbolo vigente na maior parte do mundo. Sua imagem reflete desapego do mundo, mas também é um guia e um apoio para a sabedoria.

Assim, naquela gruta, naquele interior, nascia a criança dos Filósofos, com Mercúrio prevendo sua vinda e com o mensageiro arcanjo Gabriel anunciando seu nascimento. Aquela gruta era o forno do Pão circular, que foi dividido em doze porções e doado ao Mundo.

Ouro, Incenso e Mirra

Nosso mundo moderno perdeu a profundidade da linguagem dos símbolos. Ouro, incenso e mirra estão relacionados com os atributos próprios e devidos a um Rei divino; um Rei que baixou do Céu. Assim, um mago ofereceu-lhe o metal da divindade solar: o ouro era mais apreciado por seu valor esotérico, do que pelo valor material. Para os egípcios o ouro era a parte da carne de Ra, acreditando-se que sua pele estava formada de ouro puro. Os sumérios e os babilônicos foram os primeiros em ressaltar o altíssimo valor litúrgico do ouro e estabelecer que sem ele não podia existir um efetivo contato com a divindade. Os fenícios também tiveram este reconhecimento quando levantaram o templo de Baal, atribuindo a este deus estas palavras: "meu santuário está cheio de ouro".

Os magos intuíram que este material favorecia a comunicação entre o Altíssimo e suas criaturas. O incenso e a mirra tinham conotações lunares, além do reconhecimento de que Maria representava a virgindade cósmica da Magna Mater. O incenso e a mirra poderiam ser uma alusão aos seios maternais, como relata o Cantar dos Cantares, que menciona o "monte de mirra", além de uma "cadeia de incenso". Como primeiro indício, o arbusto do incenso não existia na Palestina, pois provinha de Sabá, país de natureza lunar.

O incenso era conhecido por provocar o desejo de projeção do material ao espiritual. Era veículo e substância de oração, existindo rituais para oferecê-lo ao altar. Compunha parte das oferendas dos alimentos à Divindade, principalmente o pão. Talvez fosse o motivo principal de que um dos reis magos oferecesse este presente ao "Homem Pão" ao chegar ao mundo. Não era um presente pensado para manifestar emoções, mas bem Conhecimento. A qualidade do incenso para alcançar à Divindade era tão reconhecida, que aqueles que se dedicavam a trabalhar com este material deveriam obedecer a uma absoluta castidade durante quarenta dias antes de iniciar o manuseio correspondente. A mirra era um veículo aromático para a oração, não de maneira mística, mas como uma expressão amorosa.

Quando a mirra era misturada com o azeite de oliva, criava-se um precioso azeite aromático, com o qual muitos se perfumavam, como relata diversas passagens do Cantar dos Cantares e outros livros da Bíblia. Também era misturado com aloés vera para embalsamar os mortos, com a finalidade de que o perfume os enobrecesse no outro mundo. Era, portanto, uma substância de ressurreição, e ainda segue sendo, pois ainda é utilizado na fórmula do óleo do rito eclesiástico na extrema-unção. O fato mais evidente é que este presente foi oferecido a uma criança, implicando no reconhecimento de sua procedência divina. Com estes fatos, podemos considerar que na gruta de Belém estavam todos os símbolos necessários para profetizar o que seria a vida de Jesus.

Melchior, Gaspar e Baltazar

Os três estrangeiros, que chegaram à Belém, guiados por uma estrela para adorar o Filho de Deus, eram membros de uma Irmandade secreta. Ocultos em alguma região do Oriente, esperaram um sinal do céu que anunciaria a chegada do Salvador. Viajaram até a Judéia com uma missão: guiar espiritualmente os primeiros passos de Jesus Cristo na Terra. Talvez sejam os personagens mais enigmáticos citados no Novo Testamento. Sua procedência, formação e missão são apenas esboçadas por um dos quatro evangelistas bíblicos, São Mateus. São Mateus pressentiu que este acontecimento poderia criar um certo rechaço por parte os judeus ortodoxos, pois sabia que seu povo esperava há muito tempo à chegada de um Messias. O principal problema era fazer entender que foram estrangeiros os advertidos pela Providência. Os magos não eram bem vistos, além de estarem explicitamente proibidos no Deuteronômio (Dt. 18, 10).

Possivelmente foi uma "pista" que foi compreendida por uma pequena parte dos leitores primitivos do Evangelho: aqueles que haviam recebido os ensinamentos por via oral e que não chegaram até os nossos dias. O ensinamento escrito era só uma parte do conhecimento que tiveram os apóstolos, e certamente muita coisa se perdeu com o passar dos séculos. Na etimologia dos nomes pode-se encontrar algumas alusões veladas sobre suas origens: Baltasar é um nome assírio - Bel-Sar-Usur - que significa "o deus Bel protege o rei"; Melchior é uma palavra cuja raiz etimológica baseia-se no hebraico - Melek - que significa ouro, podendo interpretar seu nome como "rei da luz"; Gaspar é uma adaptação latina do vocábulo hindu Gudnapar. Alguns historiadores aventuram a hipótese de que procediam de Hamadán, cidade localizada ao sul do mar Cáspio, que nos tempos pré-cristãos, que ficou conhecida por ser o berço de toda uma extirpe de magos-sacerdotes que interpretavam com freqüência sonhos e acontecimentos celestes. Outros estudiosos preferem aceitar que os magos eram caldeus, baseando-se no aprisionamento dos judeus na Babilônia (587 a.C.).

O povo de Israel entrando em contato direto com um grande império, deixou sacerdotes e magos judeus, preparados psicologicamente para a vinda de um Messias. Algumas profecias contribuíram para isso, como por exemplo: Miquéias, no ano 734 a.C. e Zoroastro, 3.200 anos atrás. A religião de Zoroastro (transcrição grega da palavra Zarathustra) contemplava o mundo como uma luta permanente entre o Princípio do Bem (Ahura Mazda) e o Princípio do Mal (Angra Mainyu), que concluiria com a vitória dos seguidores do Bem, ajudados por um Auxiliador (Sôsyans). Este salvador deveria nascer de uma virgem, e como tinha tantos pontos em comum com o Messias esperado, que muitos não duvidaram que se tratasse do mesmo personagem. Esta idéia começou a tomar força na segunda metade do século II a.C., quando circulavam.

Próximo ao Oriente, algumas profecias atribuídas a Zoroastro, conhecidas como Oráculos de Histape. Alguns detalhes atualmente conhecidos são extraídos dos Evangelhos Apócrifos. Um dos mais reveladores é o Evangelho Armênio da Infância de Jesus, que aporta detalhes como: "de que os três reis magos eram três irmãos: Melkón, o primeiro, que reinava sobre os persas; depois Baltasar, que reinava sobre os hindus, e o terceiro, Gaspar, que tinha a possessão dos países árabes", além de afirmar que os Magos eram portadores de um estranho documento, que havia passado de geração em geração e que deveria ser posto nas mãos do novo Messias. Este documento ficou conhecido com o nome de Livro de Seth, que guardava as revelações que Adão teria comunicado a seu filho e que foram passadas de geração em geração.

Este livro também é conhecido como o Apocalipse de Adão, onde descreve a bem-aventurança existente no Paraíso antes da transgressão. A parte profética está composta por quatorze revelações. Alguns estudiosos passaram estas revelações, principalmente as últimas para um mapa, e geograficamente coincidiram com a Palestina, além das informações astrológicas explícitas. Esta teoria demonstra que os iniciados judeus e os iranianos estavam unidos em um conhecimento muito mais profundo sobre o que estava para acontecer com a união das duas correntes, ou seja, os Magos eram conscientes de que as profecias relativas ao Sôhyans (o salvador de sua tradição) seriam cumpridas na terra de Sem. Outros estudiosos relatam que os sacerdotes do Templo-Escola do Monte Horeb na Arábia eram dirigidos por Melchior; os Ruditas dos Montes Sagros na Pérsia, cujo culto era baseado no Zend-Avesta de Zoroastro, era chefiado por Baltazar e os solitários do Monte Zuleiman, junto do Rio Indo, eram dirigidos por Gaspar, Senhor de Srinagar e príncipe de Bombaim.

Atualmente conhece-se que antes do nascimento de Jesus Cristo havia várias profecias que faziam referências à vinda de um Messias. xiste também uma tradição arraigada que relata sobre um documento que foi entregue a Jesus pelos Reis Magos. Se este documento procedia da época da Adão ou dos tempos de Zoroastro não é especialmente relevante. O que importa é que certamente fazia referência a profecia da vinda do Messias. Possivelmente o episódio narrado pelo apóstolo Mateus foi um dos primeiros encontros entre Jesus e a Fraternidade dos Magos. A resposta para o leve esboço do apóstolo Mateus e esta Fraternidade está entre linhas nos Evangelhos - Mateus 13, 11 - quando Jesus narra sobre a parábola do semeador a uma multidão. Quando ficaram sós, seus discípulos se aproximaram e perguntaram: Por que lhes falas em parábolas? E Ele respondeu: Porque a vós é dado conhecer os mistérios do reino dos céus, mas a eles não lhes é dado. Por isso lhes falo por parábolas; porque eles vendo, não vêem; e, ouvindo, não ouvem nem compreendem. A tradição que recebemos é a mesma que escutaram "os de fora", pois o significado oculto nunca foi escrito, já que em todos os lugares da Terra a antiga sabedoria foi transmitida oralmente. Não deis aos cães as coisas santas, nem deiteis aos porcos as vossas pérolas; não aconteça, que as pisem com os pés, e, voltando-se, vos despedacem. Mateus 7, 6.

Os evangelistas souberam guardar muito bem esta norma, de modo que a antiga sabedoria chegou até nossos dias sem sofrer quase nenhuma alteração. Ao longo dos últimos 2.000 anos, diversos grupos de estudiosos souberam reconhecer nos Evangelhos uma gigantesca parábola cifrada, uma grande mensagem cósmica e também uma biografia codificada do Mestre e de seu Caminho Interior Iniciático. Jesus, assim como outros seres iluminados, não vieram para trazer uma religião nova, mas sim para reviver a Religião Eterna. Mateus desafiou os costumes de sua época e soube reconhecer que aqueles humildes magos, vindos de algum lugar do Oriente, souberam estar presentes quando o mundo, mais uma vez, estava cego e surdo.