OS GRANDES FUNDADORES DAS PRINCIPAIS RELIGIÕES E DOUTRINAS - Maomé, O Profeta
 
O homem que por "inspiração divina" escreveu o Corão. A tribo de Maomé, os quraysies, vivia em La Meca desde o século V. Seu avô era o chefe de um dos mais poderosos clãs, que se encarregava do abastecimento dos que chegavam a este local de peregrinação milenar. La Meca é um importante ponto para as rotas comerciais que percorrem o deserto, mas é também o lugar onde se levantou a Kaaba - "o cubo" - que alberga a Pedra Negra.

A história da Kaaba se perde nos tempos, atribuindo-se sua construção a Adão, que a teria construído após sair do Paraíso e com base em um templo celestial que Deus lhe permitiu contemplar. Depois que o Dilúvio arruinara a primeira obra, foi reedificada por Abrão e seu filho Ismael, que depositaram em seu ângulo sudeste a Pedra Negra, um brilhante aerólito de 30 cm de diâmetro que foi traído do céu pelo arcanjo Gabriel. Desde criança Maomé via como milhares de peregrinos acudiam durante os meses sagrados a este cubo, para adorar uma série de deuses. Era um mundo politeísta, mas Maomé não sentia Deus entre aqueles ídolos. Maomé nasceu em La Meca por volta de 570.

Sua infância esteve marcada pela tragédia; seu pai, chefe de um clã Hachim, morreu antes que ele nascesse, deixando a família em condições precárias. Junto a sua mãe, uma escrava e cinco camelos, como únicos bens, saíram com destino a Yatrib - a futura Medina - em busca de melhores condições de vida. Sua mãe faleceu quando Maomé tinha sete anos e a escrava levou o jovem de volta a La Meca, para deixá-lo com seu avô, que pouco tempo depois também falece. Foi quando ficou baixo custódia de seu tio Abu Talib. Apesar da vida humilde e dos momentos amargos, a tradição islâmica relata seu nascimento como um grande acontecimento. Contam as lendas que durante a noite de seu nascimento, uma intensa luz iluminou o local onde estava sua mãe, Amina, e em seguida os anjos - sem necessidade de cortar o cordão umbilical - lavaram a criança e a devolveram a sua mãe envolta em esplendores.

Enquanto isso em Yatrib presenciaram o surgimento de uma enorme estrela e na Pérsia os sacerdotes da velha religião de Zoroastro observaram como o fogo sagrado, que ardia no templo desde mil anos, apagou-se de modo inexplicável. Maomé teria na história uma grande missão. Acompanhou seu tio Abu Talib em uma das grandes caravanas que cruzavam os desertos da península arábica, e antes de chegar a Bosra, uma pequena cidade da Síria, homens e animais pararam para pernoitar em uma ermitã habitada por um velho monge cristão, de nome Bahira, o qual já aguardava a chegada da caravana.

Alguns dias antes o monge teve um sonho que lhe tocou profundamente: viu chegar a sua ermitã um jovem caravaneiro rodeado de uma chama e protegido por uma nuvem que pairava sobre ele. Os sinais de um eleito de Deus. Ao ver Muhammed bem Abd Allah, do clã dos Hachim, da tribo dos Quraysies de La Meca, não duvidou um só instante: reconheceu o jovem de seu sonho. Quando Maomé aproximou-se, o monge anunciou: "Tu es aquele que foi enviado por Deus, o Profeta que trará o Livro com a Palavra". Este episódio foi retirado da Sura islâmica e foi um dos acontecimentos a mais de um homem cuja vida e mensagem mudaram parte da história, tanto espiritual como política.

Aos 25 anos começou a trabalhar para uma viúva rica chamada Jadicha, e posteriormente casou-se com ela, com a qual teve duas filhas. O mundo em torno de Maomé era de verdadeiro caos. La Meca encontrava-se ao borde de um colapso por causa da política, além da escassez geral que trouxe muitas desordens públicas. Na religião, o politeísmo era imperante, com seus duendes, demônios e muitos deuses, não criavam os pilares de uma fé que se inspira algum tipo de restrição moral. Os tempos pediam alterações de costumes, e Maomé foi o artífice destas mudanças. Segundo a tradição, Maomé era uma pessoa amável e querida em seu círculo, mas também gostava da solidão. Silencioso, seus pensamentos dirigiam-se a busca de Deus.

Encontrou em Alá, uma deidade adorada em La Meca entre tantas outras, mas cuja realidade foi fazendo-se cada vez mais evidente para ele. Concluiu que Alá não era só um deus, mas que Ele era o Deus único e verdadeiro. A missão de predicar ao mundo esta revelação ocorreu em torno do ano 611, quando, de acordo com sua própria descrição, um anjo ordenou-lhe proclamá-la. Teve momentos de dúvidas e de angustias, mas convenceu-se que se tratava de uma ordem divina. Duas fases marcaram o desenvolvimento de sua missão. A primeira ocorreu em La Meca, onde encontrou grandes dificuldades criadas pelos mandatários da cidade, que culminou com a morte de Yasir, o primeiro mártir muçulmano, e a fuga de Maomé a Medina em 622. Este fato é conhecido como a Hegira e foi o início do calendário islâmico.

Em Medina, a ação de Maomé adquiriu outro caráter. Foi profeta e governante ao mesmo tempo, predicando a fé e organizando a cidade através de uma série de leis, com a finalidade de sistematizar a conduto do fiel muçulmano e da comunidade. Criou a base do Islã, criando um novo tipo de homem: com fé em Deus e com sentimento de gratidão infinita pelo divino dom da vida, adquirindo um compromisso total com Deus, além das cinco rezas diárias, a obrigação de praticar a caridade e respeitar o mês de Ramada, assim como de realizar, pelo menos uma vez na vida, a peregrinação a La Meca.

Maomé conseguiu instaurar a nova fé em La Meca, além de agrupar várias tribos árabes com uma fé comum. Quando o Profeta faleceu em 8 de junho de 632, já havia conseguido uma unidade religiosa.