OS GRANDES FUNDADORES DAS PRINCIPAIS RELIGIÕES E DOUTRINAS - Buda, O Iluminado
 
Luz e guia para milhões de seguidores. A doutrina que instaurou proclama a renuncia dos desejos para conseguir uma serenidade espiritual. A doutrina de Buda surgiu por causa de certas dificuldades inerentes ao hinduísmo, com seu sistema de castas, mas principalmente por suas barreiras para que o fiel possa escapar do karma, este contínuo círculo vicioso de morrer e renascer, até conseguir a liberação definitiva. Siddharta Gautama, Buda (o Iluminado), nasceu por volta do ano de 566 a.C., numa época onde muitos seguidores do hinduísmo buscavam novas formas de espiritualidade.

Diversos biógrafos de Buda contam que o nascimento deste personagem contém vários presságios e acontecimentos. Sua mãe, Maya Devi, viu como ele entrava em seu ser na forma de um elefante branco. Conta a lenda que durante a gestação de Maya seu corpo se tornou transparente, e o bebê era claramente visível, como "uma imagem em uma urna de cristal". No último mês da gravidez Maya decidiu visitar sua casa paterna em Devadaha. No caminho havia um bosque de árvores e Maya decidiu descansar naquele lugar.

Enquanto descansava sentiu-se atraída por pela beleza de um ramo de flores que, de repente, inclinou-se sozinha, e enquanto Maya levantava a mão para pegar, deu a luz a seu filho sem dano algum. Sua mãe faleceu sete dias depois de seu nascimento. A vida de Buda parece extraída de um conto. Príncipe desde seu nascimento, por desejo expresso de seu pai, viveu no palácio com esplendor e bem estar, distante completamente dos problemas da vida. Até que, impulsionado pela curiosidade, decidiu sair pela primeira vez do palácio para conhecer o que havia do outro lado.

Apesar de todas as proteções tomadas por seu pai para que não observasse nada de desagradável, seu filho viu um homem enfermo, um homem velho e a um morto. Como até aquele momento Buda desconhecia a enfermidade, a velhice e a morte, sentiu-se tão impressionado, que decidiu abandonar seu palácio e sua família e iniciar uma nova vida, com a finalidade de encontrar paz para seu espírito comovido. Tinha 29 anos naqueles momentos.

Passou sete anos em companhia dos sábios brâmanes, vivendo uma dura vida ascética, assim Gautama converteu-se em monge, mas desalentado por não ter encontrado o modo de penetrar na natureza íntima da dor e de suas causas, nem da maneira de livrar-se delas. Um dia decidiu buscar a verdade por si mesmo, através da meditação. Sentou-se sob uma árvore - uma figueira silvestre - a árvore Bo ou Bodhi - em Uruvela, no sul de Patna, e assim permaneceu, durante sete anos, imerso em seus exercícios de concentração interior, até que alcançou o samadhi - a iluminação. Buda neste momento encontrou-se cheio de felicidade, sentia-se cheio de amor universal e havia destruído de seu ser a ira, as paixões sensuais e os desejos egoístas.

Havia finalmente conseguido extirpar todas as tendências egoístas que o atavam a infinita roda das reencarnações. Havia conseguido a chave mestra para liberar-se do karma: havia alcançado o nirvana - Nirvana é o estado superior onde os contrários se unificam e o desejo é abolido. Depois se dirigiu a Benarés e pronunciou seu primeiro sermão, conhecido como "A Doutrina do Caminho do Meio", além de pregar sobre a necessidade de superar os desejos egoístas e para isto é necessário seguir o "Caminho dos Oito Passos", que consistem em cultivar adequadamente o juízo, a intenção, a linguagem, a conduta, o meio de vida, a vontade, o auto-exame e a concentração, através da yoga e de outras técnicas. Buda esteve predicando sua mensagem durante o resto de sua existência.

A liberação que oferecia não implicava em grandes dificuldades nem de compreensão nem de realização. Em sua doutrina não havia as restrições sociais do hinduísmo. Buda deixou um profundo pensamento filosófico baseado no karma. Ele nunca falou sobre a imortalidade da alma, nem de Deus, e nunca propôs criar uma religião, mas sim propor normas de condutas. Buda faleceu aos 80 anos, e naturalmente alcançou a paz eterna, o paranirvana, estado que unicamente podem aceder os que conseguiram o nirvana durante sua vida.