OS GRANDES FUNDADORES DAS PRINCIPAIS RELIGIÕES E DOUTRINAS - O Judaísmo - Jacob, José e Moisés
 
JACOB

Membro de uma estirpe de sonhadores, as experiências paranormais de Jacob o colocaram frente a Deus. Foi nomeado dirigente de povos e pai de reis. Seu sonho da escada que ascendia aos céus, hoje convertidos em paradigma oníricos, mudou o destino de milhares de pessoas. Jacob era filho de Isaac e de Rebeca. Seu irmão Esaú era o primogênito. Ajudado por sua mãe, Jacob conseguiu enganar seu pai Isaac, que estava cego, fazendo-se passar por seu irmão, para assim ganhar a benção paterna, a benção neste caso, representava a passagem de todos os direitos a Esaú.

Quando o engano foi percebido, e temendo a reação de Esaú, que havia ameaçado matar-lhe, se viu forçado a abandonar Canaã para buscar refúgio na casa de seu tio Labão.

Durante a viagem decidiu pernoitar entre Beer-Sheva e Jarán. Não tendo um travesseiro, apoiou sua cabeça em uma pedra. Ali se produziu o sonho que marcaria seus passos e dos seus descendentes; um sonho no qual surgia uma escada sobre a terra e subia ao céu, com anjos que subiam e desciam. Neste sonho Yahvé lhe fez uma grande revelação, como consta da Gênese. Ao despertar de seu sonho, Jacob teve a certeza de que o próprio Deus lhe havia aparecido e sentiu medo ao ser consciente de que encontrava na morada de Yahvé. Assim, decidiu chamar este local de Betel. Depois derramou azeite sobre a pedra que havia lhe servido como travesseiro. A partir deste momento, os passos de Jacob parecem guiados por uma força superior.

Depois de chegar na casa de seu tio ele se enamora de Raquel e faz um pacto com Labão, a quem deverá servir durante sete anos em troca de obter sua mão. Após haver passado este prazo, Labão se nega a dar o consentimento, alegando que não está bem visto que a filha menor se case antes da maior.

Assim, lhe entrega Lia - irmã maior de Raquel - como esposa e pede que lhe sirva outros sete anos para conseguir Raquel. Jacob consente, e entre umas coisas e outras, passam quase vinte anos antes que outro sonho lhe indique que deve regressar a sua casa em busca do perdão de seu irmão Esaú. Na viagem de regresso houve uma importante visão, em estado de vigília. Era noite quando um homem se jogou sobre ele e o obrigou a lutar até o amanhecer. Quando o estranho compreendeu que não poderia com Jacob, tocou-lhe em uma articulação de sua perna, que se deslocou. O misterioso "homem" queria ir-se, mas Jacob negou-se lhe deixar ir até que não o benzesse. Vendo que não havia escapatória, o misterioso Ser falou-lhe do seguinte modo: "Já não te chamarão mais de Jacob, sim Israel, pois lutastes com Deus" (Gênese 32, 29).

Esta visão foi tão inquietante para Jacob, agora Israel, que influenciou para que nem ele e nem seus filhos comessem o nervo ciático que se encontra na articulação da perna.

Posteriormente Jacob retornou a seu lar, reconciliou-se com seu irmão Esaú e comprou um terreno em Canaã, onde viveu com suas mulheres e filhos. Ali habitou até que voltou a sentir a chamada de Deus, ordenando-lhe regressar a Betel, com sua família e para erguer-lhe um altar. Sem duvidar, Jacob se muda com toda sua família até o local onde havia protagonizado o misterioso sonho da escada. Em Betel novamente Deus se apresenta para repetir-lhe uma mensagem (Gênese 35, 10). Jacob, sem questionar, ergueu no local do sonho um altar de pedra e derramou azeite sobre ela.

Em todas as experiências vividas por Jacob o que mais surpreende é que ele nunca se deteve em contrariar as mensagens, em nenhum momento de sua vida. Com isto conseguiu não só transformar-se a si mesmo como pessoa, mas também o seu entorno. Jacob teve doze filhos, que se converteram nas doze tribos de Israel, entre os quais, estava o famoso José, conhecido por sua capacidade de interpretar os sonhos do Faraó.

JOSÉ

A interpretação do sonho do faraó salva o Egito e vários povos do Oriente Médio.

O livro da Gênese, primeiro do Antigo Testamento, relata a história de José, filho de Jacob e neto de Isaac. De acordo com a Gênese, José, invejado por seus irmãos, foi vendido por eles como escravo a uma caravana de ismaelitas de passagem para o Egito, enquanto que a seu pai disseram que ele havia morrido devorado por uma fera.

No Egito - segundo a versão bíblica - José foi comprado por Putifar, ministro do faraó, e o empregou como mordomo. A esposa de Putifar, Ranofrit, se enamorou de José e, não cedendo ele às suas insinuações, foi denunciado pela pérfida mulher, que assegurou que José havia tentado seduzi-la. Na prisão, José compartiu a cela com o mordomo e o padeiro do faraó. Uma noite, ambos tiveram sonhos, que foram interpretados profeticamente por José com acerto.

Anos depois, quando o mordomo voltou ao serviço do faraó, recomendou José para interpretar um sonho que o Rei do Egito havia tido: o famoso sonho das sete vacas magras e as sete vacas gordas. José interpretou o sonho avisando ao faraó que haveria sete anos de fartura e sete anos de miséria e, portanto, era necessário que o faraó fizesse provisões em todo o Egito durante os 7 anos de fartura, para que a fome não dizimasse o povo nos 7 anos de miséria. Este dom de José fez que o faraó o recompensasse, nomeando-lhe Adon do Egito, como um primeiro ministro. José foi implacável ao servir o faraó durante muitos anos. A miséria não chegou somente ao Egito, mas a todo Oriente Médio. Jacob e seu povo de Israel, após o perdão de José, instalou-se com sua família nas imediações de Heliópolis, onde permaneceram até o Êxodo dirigido por Moisés, até a Terra Prometida.

MOISÉS

A existência de Moisés está repleta de fatos milagrosos e do "encontro" com Deus.

Moisés, em egípcio, significa "salvo das águas".

Moisés viveu durante o reinado do faraó Ramsés II. Naquele tempo o povo israelita vivia oprimido e escravizado pelos egípcios. Pelo temor de que um dia os israelitas pudessem ser mais numerosos, o Faraó ordenou que matassem todos os bebês do sexo masculino, nascidos entre os hebreus. Moisés salvou-se ao ser colocado no interior de uma cesta no Rio Nilo e acabou parando nas mãos da filha do Faraó, Termutis. Em qualquer caso, Moisés nunca esqueceu sua origem, sofrendo ao ver como seu povo estava sendo oprimido. Talvez isto explique que em certa ocasião, num arrebato, matou um egípcio que estava maltratando a um hebreu, motivo pelo qual ele fugiu para Madian, onde ocorreu a experiência que marcaria sua vida.

O fato ocorreu enquanto pastoreava o rebanho de seu sogro Jetro, próximo da montanha de Horeb. O livro do Êxodo narra explicando que "surgiu-lhe um anjo de Yahvé em uma chama de fogo, no meio de uma sarça". A sarça é um arbusto da família das rosáceas. Inicialmente Moisés pensou ser normal por causa do calor, mas ouviu uma voz que lhe ordenava que voltasse para o Egito e libertasse seu povo e o deveria conduzi-lo através do deserto - a terra que Ele, Yahvé, lhe indicaria. Acrescentou que para conseguir este intento, lhe outorgaria a faculdade de realizar vários prodígios.

Moisés convenceu-se que deveria obedecer, e com sua família regressou ao Egito para cumprir sua missão. Moisés e Aarão se apresentaram perante o faraó Menerphtah, filho de Ramsés II, pedindo a libertação dos hebreus e o ameaçou com vários castigos. O Faraó não se demoveu e recrudesceu a violência contra os escravos hebreus. Moisés, então, o ameaçou com as dez pragas: as águas do Nilo se transformariam em sangue; aparecimento de rãs por toda parte; os piolhos e pequenos animais; as moscas, a peste nos animais, os granizos; a sarna entre os homens, os gafanhotos; os três dias de escuridão e a morte dos primogênitos. Estas milagrosas pragas que Yahvé mandou sobre o povo egípcio fizeram com que o Faraó se decidisse a libertar os escravos israelitas.

O Faraó se arrependeu de sua decisão e ordenou a seu exército que perseguisse aos judeus, alcançando-lhes nas margens do Mar Vermelho. Neste momento, por uma indicação de Moisés, houve a abertura das águas do Mar, fazendo com que passassem todos os israelitas e o fechamento das águas ocorreu justamente quando os egípcios entravam na passagem existente.

Assim, os hebreus iniciaram sua caminhada pelo deserto, rumo ao Horeb, onde Moisés prometeu a Deus levar o povo para render-lhe culto. A partir deste momento muitos incidentes ocorreram e durante quarenta anos Moisés e o povo israelita permaneceram peregrinando pelo deserto do Sinai. Moisés sempre exortou ao povo a confiança em Deus, mesmo nos momentos mais difíceis. Houve momentos importantes, que demonstram sua união com Deus, como, por exemplo, quando prometeu ao povo carne e ao anoitecer surgiu um bando de codornizes no acampamento.

No dia seguinte, surgiu entre as pedras do deserto, o maná, que seria o pão que Deus lhes enviaria todos os dias. O maná nunca lhes faltou durante os quarenta anos que peregrinaram pelo deserto. Vários fatos ocorreram, que são impossíveis de explicar-se a luz da razão, mas no Monte Horeb, Moisés reuniu todo o povo e pediu para que se preparassem para receber instruções diretas de Yahvé. Diz a bíblia que uma nuvem pairou sobre o acampamento e raios e trovões foram vistos e ouvidos. Logo após reinou silêncio e ouviu-se uma voz dizendo ser Deus e que, naquele momento, iria transmitir Seus Mandamentos a todo o povo, que são:

1º - Não terás outros deuses diante de mim;
2º - Não tomarás o nome do Senhor te Deus em vão;
3º - Lembra-te do dia de sábado, para o santificar;
4º - Honra a teu pai e tua mãe; 5º - Não matarás;
6º - Não adulterarás;
7º - Não roubarás;
8º - Não prestarás falso testemunho contra o teu próximo;
9º - Não cobiçarás a mulher do teu próximo; e
10º - Não cobiçarás a casa do teu próximo, nem sua mulher, nem seu gado, nem seus servos, nem coisa alguma sua.

Todos estes mandamentos foram transcritos por Moisés em duas Lages de pedra. O Decálogo é de caráter universal, e também é a aliança de todos os homens com Deus. No final de sua missão, após muitos incidentes como o do Bezerro de Ouro, a construção do tabernáculo, a peregrinação pelo deserto, as revoltas, reclamações, Moisés pressente que o seu fim está próximo e nomeia Josué como seu sucessor para o comando do povo, incumbindo-o de levar os judeus a Terra Prometida.

Moisés reuniu todas as principais tribos e fez um discurso de despedida, dizendo: "aqueles que bem souberem obedecer saberão bem mandar quando forem levados a cargos e dignidades - se perderdes o respeito a Deus e abandonardes as virtudes, sereis levados escravos para todas as partes do mundo e não haverá lugar, na terra ou no mar, que não conhecerá os sinais de vossa escravidão". A vida de Moisés está constituída de fatos importantes, além de seu encontro do Deus. É a história de um homem que mudou o curso da história de todo um povo.