OS GRANDES FUNDADORES DAS PRINCIPAIS RELIGIÕES E DOUTRINAS - Confúcio e Lao-Tsé
 
Enquanto Confúcio deu um novo sentido as velhas tradições, o mítico Lao Tsé impôs um mundo cheio de misticismo. É impossível falar sobre um dos grandes guias espirituais da China, Confúcio, sem ter em conta que ele se definia a si mesmo como "um amante dos antigos". A chave de sua doutrina está no passado da China, que havia forjado diversos mitos e crenças, que giravam em torno aos processos da natureza. Estes processos baseavam-se na idéia de que sua origem se regia por um princípio dual: o yin (passivo, feminino, quieto e frio) e o yang (ativo, masculino e cálido). Como conseqüência desta forma de pensar havia se estabelecido uma firma conexão entre o mundo material e o espiritual, inter-relação que abarcava todos os âmbitos da existência.

Uma vida convenientemente regulamentada no político, no social e no familiar, graças a um corpo de crenças e tradições que garantiam a estabilidade do país. Mas, por mais fortes que sejam os cimentos de uma sociedade, sempre se produzem fissuras. Confúcio nasceu em torno de 551 a.C. e viveu uma época bastante convulsiva da história da China, circunstância que determinou o sentido de sua obra. Originário de uma família modesta, Confúcio teve que se abrir caminhos por si mesmo. Começou a estudar aos 15 anos de idade, e aos 25 estabeleceu-se como tutor. Logo alcançou uma grande reputação, conseguindo reunir um círculo de discípulos. Sua maior ambição era conseguir um cargo público, pois tinha confiança ilimitada em sua capacidade para reorganizar a sociedade em que vivia de acordo com suas teorias.

A partir dos 50 anos de idade, e durante os 13 seguintes, foi de estado em estado dando conselhos aos governantes e buscando oportunidades de colocar em prática suas idéias. Jamais conseguiu um posto no governo. Depois de reconhecer que era muito velho para ocupar um cargo como estadista, passou a última etapa de sua vida em seu estado natal, Lu, ensinando e editando os clássicos chineses do passado, até que faleceu em 479 a.C. A grandeza deste homem radica no seu esforço para recuperar as tradições, que serviam para garantir a estabilidade da sociedade. Ele e seus discípulos colocaram as sementes da mudança, através da idéia de converter a tradição espontânea em algo deliberado e consciente, mantendo a inteligência intacta por causa das tradições, além de reger na sociedade, na política, na moral e também no espiritual. Era uma forma de despertar a consciência de algo que sempre esteve ali, mas nunca havia sido trabalhado e regulamentado de uma forma consciente. Implicava em um novo modo de pensamento e de vida. Outra figura fundamental da cultura chinesa é de Lao Tsé. Personagem mítico, tanto que alguns duvidam de sua existência real. Dizem que veio ao mundo em torno de 604 a.C.

Algumas lendas contam que foi concebido por uma estrela fugaz e que esteve no útero de sua mãe durante 42 anos, para nascer como um homem sábio de cabelos brancos. Segundo a tradição, deixou para a humanidade um livro de 5.000 palavras: o Tao-Te-King, o Livro do poder do caminho. Este testamento pode ser lido em meia hora, mas também toda uma vida. Constitui o texto básico do pensamento do taoísmo. O Tao, termo que pode traduzir-se por "caminho", tudo engloba: é a unidade inalterável, apesar da diversidade instável do mundo material. Está sempre inativo, mas não existe nada que não faça.

Segundo os próprios taoístas, é como a água, flexível, mas ideal para dissolver o duro e o inflexível. O propósito do taoísmo é assegurar a paz perfeita da união com o Tao. Seu primeiro princípio consiste em não colocar nunca resistência as leis fundamentais do universo, o qual conduz a uma atitude mais calma e mais contemplativa. Em resumo: não fazer nada para alcançar tudo.

Estas duas doutrinas constituem as duas caras de um mesmo mundo. Opostos, mas ao mesmo tempo, complementárias, que formam o rosto duplo de uma China única. Em definitiva, é como o yin e o yang girando entre si: Confúcio representando o clássico e a tradição, e o legendário Lao Tsé, representando a espontaneidade e a transcendência.