OS GRANDES FUNDADORES DAS PRINCIPAIS RELIGIÕES E DOUTRINAS - Krishna, O Criador do Hinduísmo
 
Concebido de uma forma milagrosa por uma virgem, ávida e a obra de Krishna estiveram marcadas por uma série de encontros com um ancião que, entre outras coisas, lhe conduziu ante a presença do Pai Supremo. Krishna foi filho do deus Mahadeva e da virgem Devaki. Os textos sagrados hindus contam como Krishna tomou consciência de sua natureza divina a partir de uma experiência paranormal que ocorreu aos quinze anos.

Durante este episódio, um ancião misterioso lhe revelou que no futuro encontraria a sua mãe ao lado do Deus eterno, assim como ao próprio ancião. Esta experiência confirmou-se e Krishna iluminou-se e converteu-se no líder que orientaria a cultura religiosa da Índia a partir deste momento. Contam que o malvado rei Kansa, seguidor do culto lunar, queria o poder e para conseguir pediu ajuda a Kalayeni, o poderoso rei dos yavanas, conhecido como o "Rei das Serpentes" e por suas magias negras. Kalayeni aceitou com a condição com a condição de que ele contraísse matrimônio com sua filha Nysumba, que apesar de grande beleza, era estéril. Este fato contrariou muito a Kansa, pois apesar de ter outras esposas, Nysumba era a mais apaixonada de todas, era sua preferida.

Durante um sacrifício de fogo, Kansa perguntou ao sacerdote quem seria a mãe do dono do mundo. A resposta do brahmin não foi do gosto de Nysumba, pois a eleita era a sua própria cunhada, Devaki, irmã de seu marido. Em conseqüência deste fato, Kansa se viu obrigado a ceder aos desejos de sua esposa e começou a pensar em como matar a sua própria irmã. O chefe dos sacrifícios teve um sonho revelador das intenções de Kansa, e avisou a Devaki, que se refugiou no bosque junto aos ascetas, seguidores do culto solar. O rei dos ascetas, Vasichta, quando a viu lhe disse que ela era a resposta a suas orações, pois o "raio do esplendor divino" ia tomar forma humana em seu ventre.

A fama de santa de Devaki chegou aos ouvidos dos rishis do bosque, que se prostram aos seus pés quando a viram e a acolheram entre eles. Assim, a jovem princesa viveu em uma pequena ermitã, dedicada a oração e a dar longos passeios pelo bosque. Um dia caindo em êxtase na sombra de uma velha árvore, o céu se abriu e, diante dos olhares de muitos seres angelicais, o deus Mahadeva apareceu em forma humana. Iluminada por esta presença, Devaki perdeu o conhecimento, e assim concebeu a um menino divino, que receberia o nome de Krishna. Por indicação de Vasichta, a jovem foi viver com uns pastores aos pés do monte Meru, para proteger-se de seu irmão Kansa e criar o menino divino longe de sua influência. Krishna, durante seus primeiros quinze anos, viveu ao lado de sua mãe, junto aos pastores de um vale pertencente ao patriarca Nanda.

Após este período, Devaki sentiu que deveria voltar para junto dos ascetas e, sem se despedir de seu filho, desapareceu de sua vida. Krishna não podia entender a ida de sua mãe e, desolado, se adentrou nos bosques do monte Meru para reflexionar e buscar respostas ao seu conflito. No alto do monte surgiu a Krishna um ancião com uma túnica branca, e revelou-lhe que sua mãe estava com "aquele que jamais muda" e que sua missão era matar o Touro e amassar a cabeça da Serpente. O ancião acrescentou que não voltaria a ver-lhe até o dia em que a filha da Serpente incitara ao crime o filho do Touro, e assim desapareceu. Após esta estranha experiência, Krishna reuniu-se com seus companheiros e convidou-os a lutar contra os touros e as serpentes, colocando-se ao lado dos juntos e subjugando os malvados. Depois de matar dezenas de feras, incluindo a cruel serpente do rei Kalayeni, Krishna compreendeu que não encontraria seu verdadeiro caminho matando aos vivos e, depois de passar um mês orando nas margens do rio Gânges, voltou ao lado os pastores, onde se dedicou a compor e cantar belos hinos ao deus Mahadeva.

Enquanto isso, o rei Kansa, incitado por Nysumba perseguiu e matou vários ascetas, acusando-lhes de haverem protegido a Devaki. As proezas do jovem Krishna também haviam chegado aos seus ouvidos e, baixo subterfúgio, conseguiu convencer-lhe de que entrasse para seu serviço. Foi assim, como "tio" e "sobrinho" que empreenderam uma perigosa viagem pelos bosques, acreditando que poderiam encontrar e matar Vasichta, o soberano dos ascetas. Krishna chegou neste local somente para cumprir sua missão.

Neste momento, viu o ancião que havia encontrado anos atrás em cima do monte Meru, sentado com as pernas cruzadas. Krishna se colocou a seus pés exatamente no momento que chegou Kansa. Neste instante Vasichta revelou a identidade de Krishna e seu tio, furioso, lhe disparou uma flecha, que se desviando de sua trajetória, foi parar diretamente no coração de Vasichta. Krishna havia se identificado de tal maneira com o ancião, que gritou, como se a flecha tivesse penetrado em seu próprio coração. Em seguida um enorme esplendor iluminou a escuridão do céu, fazendo-o cair no chão, como fulminado por um raio. Enquanto sua alma permanecia unida a de Vasichta, subiu ao sétimo céu dos Devas, até o Pai Supremo, Mahadeva. Submergido em um oceano de luz aberto ante seus olhos, Krishna viu ali sua mãe, Devaki, que o abraçando, dirigiu-lhe um olhar de amor infinito.

Então Krishna soube a verdade: ele era o Filho, a alma dividida de toso os seres e o Verbo criador. Quando voltou em si, Vasichta não era mais que um cadáver, mas ele se levantou como um ser diferente: havia percebido a verdade sublime e compreendido sua missão. Krishna regressou entre os ascetas, que o aceitaram como sucessor de Vasichta e, depois de meditar no monte Meru sobre sua doutrina e o caminho da salvação dos homens, convocou os ascetas para revelar-lhes o que ser o Bhagavad Gita, a bíblia dos hindus.

Anos depois de sua morte, grande parte da Índia adotava a doutrina de Krishna, que conciliava os aspectos lunares e solares, que até então se haviam apresentado como irreconciliáveis na religião de Brahma. O hinduísmo está presidido por uma trindade de deuses: Brahma, deus criador de que tudo procede e a quem tudo retorna, Shiva, deus destruidor, mas que também preside a procriação e Visnu, preservador da vida, que periodicamente retorna ao mundo encarnado em Rama. O hinduísmo proclama que o destino de todo homem está determinado por uma série indefinida de vidas e transformações (Karma), até que a liberação (moksa) cesse a sucessão de renascimentos (samsara) e se consiga a absorção no seio de Brahma.

Qualquer pensamento ou ato é de vital importância para determinar a sorte do indivíduo em suas futuras existências. É necessário praticar boas obras e exercitar as técnicas de meditação e concentração (yoga), com o objetivo primordial de conquistar o conhecimento da verdade e escapar definitivamente do doloroso ciclo de renascimentos.