A OBRA DA HIERARQUIA
 
Extraído do livro “Iniciação Humana e Solar” - Alice A. Bailey – 1ª edição: 1922

Embora o tema da Hierarquia oculta do planeta seja de profundo interesse para o homem comum, seu real significado não será compreendido enquanto os homens não se compenetrarem de três coisas com ele relacionadas.

Primeiramente que toda a Hierarquia de seres espirituais representa uma síntese de forças ou energias que estão sendo conscientemente manipuladas para promoverem a evolução planetária.

Em segundo lugar, que estas forças, que se exteriorizam em nosso esquema planetário através daquelas grandes Personalidades Que compõem a Hierarquia, a vinculam, com tudo que ela contém, à Hierarquia maior, que denominamos Hierarquia Solar. A nossa Hierarquia é uma réplica em miniatura da síntese maior daquelas Entidades autoconscientes, que manipulam, controlam e se exteriorizam através do Sol e dos sete planetas sagrados, bem como através de outros planetas, maiores e menores, que compõem o nosso sistema solar.

Em terceiro lugar, que esta Hierarquia de forças segue quatro linhas proeminentes de trabalho, que são as seguintes:

Desenvolver a Autoconsciencia de Todos os Seres
A Hierarquia procura proporcionar condições adequadas para o desenvolvimento da autoconsciência em todos os seres. Isto ela produz, no homem, basicamente através do seu trabalho inicial de combinar os três aspectos mais altos do espírito com os quatro aspectos inferiores; dos exemplos que exterioriza pelo serviço, sacrifício e renúncia, e dos constantes feixes de luz (em sentido oculto) que dela emanam. A Hierarquia poderia ser considerada como o agregado, em nosso planeta, das forças do quinto reino na natureza. Penetra-se neste reino através do pleno desenvolvimento e controle do quinto princípio da mente, e pela sua transformação em sabedoria, que constitui, literalmente, a inteligência aplicada a todos os estados, pela utilização plena e consciente da faculdade do amor discriminativo.

Desenvolver a Consciência nos Três Reinos Inferiores
Como são bem conhecidos, os cinco reinos da natureza, no arco evolutivo, podem ser definidos da seguinte maneira: mineral, vegetal, animal, humano e espiritual. Todos esses reinos corporificam algum tipo de consciência, e é tarefa da Hierarquia desenvolver estes tipos até a perfeição através do ajuste do Carma, da força atuante e do provimento de adequadas condições. Uma idéia do trabalho poderá ser obtida se resumirmos, brevemente, os diferentes aspectos da consciência a ser desenvolvida nos vários reinos.

No Reino Mineral, o trabalho da Hierarquia visa o desenvolvimento da atividade discriminativa e seletiva. Uma característica de toda matéria é a atividade, de alguma espécie e, no momento em que esta atividade é dirigida para a construção de formas, mesmo do tipo mais elementar, será expressa a faculdade discriminativa. Isto é reconhecido pelos cientistas em toda parte e, neste reconhecimento, eles estão se aproximando das descobertas da Sabedoria Divina.

No Reino Vegetal, a esta faculdade da discriminação é acrescida a reação à sensação e será possível observar a condição rudimentar do segundo aspecto da divindade, da mesma forma como no reino mineral se faz sentir um semelhante reflexo rudimentar do terceiro aspecto da divindade.

No Reino Animal, verifica-se um aumento desta atividade e sentimento rudimentares, podendo ser encontrados sintomas (se é que podemos expressá-los tão inadequadamente) do primeiro aspecto, ou vontade, e propósito embrionários; podemos denominá-los de instinto hereditário, mas, na realidade, se expressa como propósito, na natureza.

NOTA: considero importante esclarecer que Alice Bailey refere-se, na sua esplanação acima, aos TRÊS ASPECTOS da Divindade que são os seguintes: 1º Aspecto – Vontade ou Poder (o Pai); 2º Aspecto – Amor Sabedoria (o Filho); 3º Aspecto – Inteligência Ativa (o Espírito Santo).

H. P. Blavatsky indicou, sabiamente, que o homem representa o macrocosmo para os três reinos inferiores, pois que nele se acham sintetizadas essas três linhas de desenvolvimento, em plena expressão. Em verdade, o homem é inteligência, manifestada de forma ativa e maravilhosa; ele é amor incipiente e sabedoria, muito embora no momento essas qualidades possam, apenas, representar a meta de seus esforços; e ele possui aquela vontade inicial, embrionária e dinâmica, que encontrará maior desenvolvimento depois que houver alcançado o quinto reino.

No quinto reino, a consciência a ser desenvolvida é a grupal, e isto se expressa pelo pleno desabrochar da faculdade de amor-sabedoria. O homem somente repete, numa curva mais alta da espiral, o trabalho dos três reinos inferiores, pois no reino humano ele exterioriza o terceiro aspecto, o da inteligência ativa. No quinto reino, em que se ingressa na primeira iniciação, e que abrange todo o período em que o homem recebe as primeiras cinco iniciações, e que é aquele em que trabalha como Mestre, como parte da Hierarquia, o segundo aspecto, o do amor-sabedoria, encontra a sua plena realização. Nas sexta e sétima iniciações, resplandece o primeiro aspecto, ou Vontade, e, da condição de um Mestre da Compaixão e Senhor do Amor, o adepto passa a ser algo mais. Penetra numa consciência ainda mais alta do que a grupal e se torna consciente de Deus. Passa a ser sua a grande vontade ou propósito do Logos.

O desenvolvimento dos vários atributos da divindade, o cultivo da semente da autoconsciência em todos os seres, representa o trabalho daquelas Entidades que se realizaram e entraram no quinto reino e que ali tomaram sua grande decisão e aquela renúncia inconcebível que as leva continuarem com o esquema planetário, para assim cooperarem com os Planos do Logos Planetário no plano físico.

NOTA: LOGOS significa Divindade Manifestada; Expressão exterior da causa que permanece oculta ou não manifestada.

Transmitir a Vontade do Logos Planetário
Atuam como os transmissores para os homens e devas, ou anjos, da Vontade do Logos Planetário e, através Dele, do Logos Solar. Cada esquema planetário, o nosso entre outros, é um centro no corpo do Logos e expressa alguma forma de energia ou força. Cada centro exterioriza seu tipo particular de força, demonstrado de maneira tríplice e produzindo assim, em âmbito universal, os três aspectos na manifestação. Uma das grandes conscientizações reservadas aos que entram no quinto reino é a do tipo específico de força corporificada pelo nosso próprio Logos Planetário. O aluno sábio meditará sobre esta afirmação, pois ela encerra a chave do muito que pode ser visto no mundo de hoje. O segredo da síntese foi perdido e somente quando os homens novamente recuperarem o conhecimento que possuíram em ciclos anteriores (tendo-lhes sido retirados misericordiosamente na época da Atlândida) sobre o tipo de energia que o nosso esquema deve exteriorizar, os problemas mundiais resolver-se-ão por si e se verificará a estabilização do mundo. Isto ainda não pode ser alcançado, pois este conhecimento encerra perigos e atualmente a raça, como um todo, ainda não adquiriu a consciência grupal e, portanto, nela não se pode confiar para trabalhar, pensar, planejar e atual em prol do grupo. O homem ainda é demasiadamente egoísta, mas não há motivo para desencorajamento sobre este fato; a consciência grupal já é algo mais do que uma mera visão, enquanto que a fraternidade e o reconhecimento de suas obrigações estão começando a permear a consciência dos homens, em toda parte. Este é o trabalho da Hierarquia da Luz – demonstrar aos homens o verdadeiro significado da fraternidade e apoiar neles a resposta àquele ideal que está latente em um e em todos.

Dar um Exemplo à Humanidade
A quarta coisa que os homens precisam saber e compreender como fato básico é que esta Hierarquia é composta daqueles que triunfaram sobre a matéria e que alcançaram a meta pelos mesmos passos que os demais indivíduos seguem hoje. Estas personalidades espirituais, estes adeptos e Mestres, lutaram pela vitória e domínio no plano físico e enfrentaram os miasmas, as brumas, os perigos, os problemas, os lamentos e os sofimentos da vida diária. Suportaram todos os passos do caminho do sofrimento, passaram por toda experiência, ultrapassaram cada dificuldade e venceram. Estes Irmãos Maiores da raça passaram, todos eles, pela crucificação do eu pessoal e conhecem aquela renúncia total que é a sorte de todo aspirante nesta época. Não há fase de agonia, sacrifício ou via dolorosa que não tenham palmilhado na sua época e nisso reside o Seu direito de servir e a força do método do Seu apelo. Conhecendo a quintaessência da dor, conhecendo a extensão do pecado e do sofrimento, seus métodos podem ser perfeitamente adaptados às necessidades individuais; mas, ao mesmo tempo, a Sua conscientização da libertação a ser alcançada pela dor, pela pena e pelo sofrimento e a Sua assimilação da liberdade que surge através do sacrifício da forma e dos fogos da purificação, são suficientes para Lhes dar segurança na ação e uma capacidade de persistirem mesmo quando a forma possa parecer ter sofrido o bastante e um amor que triunfa sobre todos os reveses, pois se baseia na paciência e na experiência. Esses Irmãos Maiores da humanidade são caracterizados por um amor duradouro e que sempre atua para o bem do grupo; por um conhecimento que foi adquirido através de milhares de vidas, nas quais Eles abriram caminho desde o estágio mais baixo da vida e da evolução, quase alcançando o ponto mais alto; por uma experiência que se baseia no próprio tempo e numa multiplicidade de reações e interações da personalidade; por uma coragem que é o resultado daquela experiência e que, tendo sido produzida por eras de esforço, fracasso e renovados esforços, e tendo levado, finalmente, ao triunfo, pode agora ser posta a serviço da raça; por um propósito que é iluminado, inteligente e cooperativo, ajustando-se ao grupo e ao plano hierárquico e, assim, adaptando-se ao propósito do Logos Planetário; e, finalmente, distinguem-se por um conhecimento do poder do som. Este ato final constitui a base daquele aforismo, segundo o qual todos os verdadeiros ocultistas se distinguem pelas características do conhecimento, da vontade dinâmica, coragem e silêncio. “Saber, querer, ousar e calar”. Conhecendo tão bem o plano e tendo visão clara e iluminada podem adaptar Sua vontade, de modo persistente e resoluto, ao grande trabalho da criação, pela força do som. Isto conduz ao Seu silêncio, quando o homem comum falaria, e ao falar, quando o homem comum silenciaria.

Quando os homens compreenderem os quatro fatos aqui enumerados e estes ficarem alicerçados como verdades reconhecidas na consciência da raça, então poderemos buscar o retorno daquele ciclo da paz, tranquilidade e retidão vaticinados em todas as Escrituras do mundo. O Sol da Equidade despontará então, trazendo a cura nas Suas asas, e a paz que transcende à compreensão reinará nos corações dos homens.